- “Desesperar jamais”, um dia cantou um grande mestre da música. Levar a vida de forma leve faz com que realmente tenhamos a possibilidade de aproveitá-la. Deixamos de lado mesquinharias, inseguranças, ciúmes, pequenezes. Olhamos para o outro e nele nos encontramos. O brilho do olhar se torna o brilho de nossas vidas. Leveza. Porque um dia uma amiga me disse que dar murro em ponta de faca realmente só faz por machucar e cortar nossas mãos. Ao escutar minhas angustias há tempos atrás ela me disse que deveríamos ser como uma folha ao vento que é levada pela correnteza de ar. Às vezes bate em alguma coisa, mas é preciso soltar-se. Desprender-se das amarras foi a expressão usada.
Confusão por vezes nos desestrutura. A mim me concerniu por muito tempo. Hoje houve uma quebra no meu sistema. Os dias estavam correndo bem, mas certo acontecimentos me deram uma rasteira. Me lembrei de outros tempos quando estava bem pior. Me sentindo só e confuso. Percebo o quanto cresci, mudei, me abri mais a oportunidades e experiências. Me entendi mais e comecei a entender ou tentar entender o outro, até porque eu preciso. Enfim. Sinto que coisas mudaram e pra melhor. Me sinto mais como a folha, apesar de saber que não estou a voar por aí totalmente solto. Também não sei se vou, se consigo, se quero ou se sou assim, se sou isso. Acho que o importante é não se fechar a essa realidade. Tangendo-a estou, bem mais e tem me feito um bem enorme, uma mudança em hábitos.
Devo muito aos amigos. Às conversas que tenho e tive com eles. Devo também muito às viagens de ônibus. Normalmente tento trazer a mão um livro, revista, um mp4 para ir me distraindo num caminho de volta pra casa. Às vezes não levo nada, não de propósito, mas simplesmente as vezes não dá (carregar coisas e tal). Volto só. Eu e Deus. Venho conversando com Ele e comigo. Às vezes cantando, cantarolando, falando sozinho, em inglês, todo tipo de coisa que logo quando percebida pelos outros passageiros é tachado como loucura. Enfim. Não ligo. Pelo menos às vezes. Momento de introspecção, de releitura. Momento de parar um pouco mesmo, ter tempo pra ter tempo. Pra num fazer nada e ficar olhando as casas passarem. Hoje tive mais uma vez essa experiência fantástica. Mas antes de tê-la tive outra também não menos importante. Conversei com a lua. Eu e ela, e é claro todo o resto das pessoas que estavam na orla, conversando. Lua cheia. Feito minha barriga. Grande e gorda. Foi bom! A imagem refletida no mar, você devem imaginar. Depois ainda tive momentos fantásticos com a mulher que amo. Noite ótima. De maneira que todas essas experiências me ajudaram a me reestruturar do dia, pelo menos a manhã que foi meio turbulenta, no mínimo.
Devemos ser leves e flexíveis como folhas. Lutar pelo que é nosso e fazer valer direitos, mas também não perder a cabeça por coisas que acabam por tirar a nossa vida aos poucos. E o pior é que não tem volta, e a vida. Ah, a vida é curta demais pra ser pequena como já disse Israel Disreli. Ela é curta porque ela é boa. Não percamos, não a percamos por besteiras. Tudo é vão. Vão indo os dias, os anos e depois nós também. Vamos viver. Eu, eu tou tentando. Avante, “Desesperar jamais” !!!
Cláudio Mattos
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