Senti-me mal hoje. Mais já passou afinal tudo na vida passa. Ontem como havia dito saí a noite pra me distrair. Um bistrôs, calmo, muito bom e muito boa música. Zé Renato do Boca Livre. Foi muito bom, principalmente pra tirar minha cabeça dos problemas e das coisas não resolvidas. Senti que hoje queria contar uma história que vem sempre me passando a cabeça esses dias. Uma memória mais.
Sinto muita falta de meu pai e tem sido difícil viver com esse sentimento. Quase todo dia agora passo na frente de uma escola que já foi minha escola quando pequeno. Meu pai me levava na escola e no percurso matinal a gente cantava música da trilha de filmes da Disney. Uma em específico fica em minha memória até hoje. A cena parece que era um incêndio na casa do pateta e o Mickey chegava pra ajudar ou era o contrário. Enfim, a música ia mais ou menos assim: “... um amigo, dois amigos, na horas difíceis. Chamando um amigo, nós estaremos lá...”. Ao passar esses dias por essa escola cujo nome mudou a dois, três anos, só faço lembrar desse fato. Para mim, ir pra escola era bom, mas era triste porque deixava meu pai ou minha mãe os quais eu amava e ia embarcar em aventuras com pessoinhas como eu que eu não conhecia bem. Tímido como sempre fui, era bem difícil no começo. As músicas me ajudavam a me divertir. Lembro como se fosse hoje a gente cantando descendo a Rua Oliveira Lima, no muro do Nóbrega, cantando. Lembro de meu pai cantando pra mim a noite à cama. É bom e triste lembrar. Tem músicas que me lembro todinhas. Como “ronda” que minha mãe odiava quando ouvia. Era a música que meu pai cantava quando era lobinho em São Paulo (lobinho é como se fosse um escoteiro junior) quando estava em acampamento e fazia ronda. Para permanecer acordado cantava: “na noite de ronda eu vou caminhando no acampamento e a voz das árvores e a do vento vem com Deus a meu saldar. E com ela eu canto sem medo enfim. Paz, amor, alegria em mim, vem mostrar que na noite de ronda tem: uma paz que nos faz muito bem.” Quero dormir hoje lembrando disso tudo. De como eu me divertia indo para o colégio e de como minhas noites eu iniciava meu sono tranqüilo no embalo das cantigas de meu pai. Até hoje eu lembro e até hoje eu sinto a intenção delas.
Sem mais. Mais uma vez sem mais. Obrigado!
Cláudio Mattos
Nenhum comentário:
Postar um comentário